domingo, 29 de agosto de 2010

Quando você acha.

É! Isso de se apaixonar (pela pessoa errada) é uma merda mesmo. Quando você acha que tá por cima da carne seca, você não tá. Quando você acha que o cara tá apaixonado, nem se iluda, não passou nem perto. Quando você pensa que ele vai te ligar, pode desistir, sentar e esquecer. Quando você acha que vai brotar do coração dele algum sentimento bom, esquece, ele não tem coração. Quando você acha que ele tá falando a verdade, ele tá dizendo uma linda e charmosa mentira. Quando você acha que fez a melhor coisa do mundo indo até lá, descobre que foi perda de tempo. Quando você arrisca algo mais ousado, como dizer: “Eu amo você”, descobre imediatamente que foi a pior ideia que você já teve na vida. Pois ele não merecia essas palavras pronunciadas a tanto custo e que para ele nada significam. E tudo aquilo que você idealizou nunca vai acontecer, você vai chorar, sofrer, ficar noites sem dormir e você finalmente prometerá a si mesma que nunca mais olhará na cara do filho da puta e tudo enfim vai passar.
Um belo final se assim fosse. Mas você sabe melhor que ninguém que é só o fdp ligar que em seu coração burro nascem mil esperanças purpurinantes e você se joga de cabeça nisso tudo, ignorando porvires e é óbvio que vai se fuder lindamente mais uma vez. Já que ele não mudou e nem te procura porque te ama, mas porque sabe o efeito que causa em sua mente e sabe que pode conseguir tudo o que quer usando seu jeito doce e suas “boas intenções”. Por isso, ao menor sinal de paixões fracassadas, com ares de história sem fim, corra, fuja para as montanhas, vá morar com esquimós, com gorilas, se interne em um hospício, vá pra o quinto dos infernos, mas evite contatos com essas pessoas, elas só atrasam sua vida. Falar em atraso não é exagero, mas também não me sinto na obrigação de explicar o motivo.
* Meu primeiro post amoroso-revoltado. Prova que os brutos também amam. Pasmem. \o

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Elle quer voltar.

(e) Leitores! As eleições se aproximam e esse é um fato que me preocupa. Principalmente porque o "Caçador de Marajás" (leia-se: Fernando Collor de Melo) é candidato ao Palácio República dos Palmares.
Política não é um tema que me causa euforia, não sou lá a pessoa mais engajada e não costumo comprar briga com ninguém para defender pontos de vista partidários. Bem, esse quadro mudou um pouco quando eu soube da candidatura de Fernando Collor, isso me tirou do sério. Me causou embrulho no estômago entre tantas coisas coisas podres e passíveis de fazerem um estômago embrulhar existentes no cenário político. Sou capaz de armar uma picuinha com quem disser na minha cara que vai votar nele. Tanto sou capaz que já armei, mas isso não vem ao caso agora.
Tá bom! Eu não vivi na época em que ele foi presidente, governador e prefeito. Eu era no máximo um bebê com cara de joelho quando tudo aconteceu. Minha vida girava em torno de comer, dormir, chorar e pedir colo. Só que outras pessoas viveram e Collor definitivamente não era o governante mais exemplar. Tanto que sofreu um impeachment como presidente. Aí alguém tem a coragem agora de dizer que ele não era tão ruim?
Hoje vi a propaganda dele: "Collor é o povo no governo". É a velha história de governar com o povo e para o povo. A mais sórdida piada. Povo só existe na campanha, no poder é beijos-não-me-liga-nunca-mas-votem-em-mim-da-próxima-vez.
Alguém acredita mesmo que ele mudou e se arrependeu? Sinto informar que de boas intenções o inferno está cheio.
É revoltante ouvir alguém dizer que vai votar no Collor porque ele é bonito! (se bem que esse argumento não é tão mais válido hoje, ele já tá um tiozinho meio caído =x) PUTA QUE PARIU! Que tipo de consciência uma criatura dessa tem? Acho que até uma ameba sentiria vergonha de proferir tal absurdo.
E quem não tá satisfeito com o governo de Teotônio Vilela, colocar Collor em seu lugar seria muito cômico se não fosse terrivelmente trágico.
Ouço ecos: " Ele rouba, mas faz"; "Não posso fazer nada"; "Já teve piores, ele vai melhorar"... Blá blá blá.
Acorda povo! Consciência na hora de votar!
Juro que se em Alagoas ele for eleito eu deixo definitivamente de acreditar no povo e declaro que está tudo perdido de uma vez. É quase um 2012. Ou pior!

quarta-feira, 7 de julho de 2010

"O poeta da dor, o cantor da desgraça..."

Cara! Não há nada mais indigesto do que ver o Datena falando do caso do goleiro do flamengo. Na verdade, esse é só mais um caso ao qual a mídia agarra com unhas e dentes, explora com o máximo de sensacionalismo e depois esquece.
Estava eu, acordando de sonhos intraquilos de uma tarde quando ouço o caro "jornalista" Datena berrar que a moça foi supostamente agredida e esquartejada. Todos os jornais estão falando da mesma coisa, mas o enfoque o "Brasil Urgente" dá é de longe o mais assombroso.
Depois de tentar esquecer do que ouvi, vou jantar. Péssima ideia. Lá da cozinha ouço o poeta da dor dizer que cães podem supostamente ter comido partes de seu corpo. Nessa hora um arrepio percorreu meu corpo e eu não consegui mais olhar para o meu prato da mesma forma. Tive até uma leve lembrança do livro "Ensaio sobre a cegueira" de José Saramago. No momento em que o caos se instalou por completo naquele mundo de cegos e que as pessoas morriam no meio da rua e os cães comiam seus restos. Um das partes que mais me impressionaram no livro. Fiz essa rápida associação entre o livro e a notícia e vi que aquela época de sombras e trevas relatada no livro é o hoje.
Depois dessa lembrança, continuando... Deixo claro que eu não estava assistindo à semelhante porcaria televisiva, mas não sei que prazer certos parentes meus têm de ficar assistindo isso em alto e bom som e ai de mim se eu reclamar. Eu reclamo e digo pra desligar aquilo ou ao menos baixem o volume enquanto eu como pô!
Alguns acreditam que Datena mostra os fatos como eles são. Sem maquiagens, a tal da verdade nua e crua. Não tenho nada contra verdades, porém isso não se trata da "verdade" e sim uma falta de respeito com as pessoas que morreram e com as que ainda estão vivas. Que tipo de resposta eles esperam quando perguntam à mãe de uma pessoa como ela se sente ao ver seu filho morto? "Eu estou bem, obrigada"?
Ele canta muito bem a dor e a desgraça. Alguns o adoram por ser tão "preocupado" e "indignado" com a realidade social. Eu o detesto por conseguir ser tão ridículo.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Quanto ao futuro...

Nunca a palavra 'futuro' me deu tanta urticária como agora. Quase uma futurofobia. As obrigações morais, políticas, sentimentais ou seja lá de ordem forem, triplicam a cada segundo, principalmente quando se está na faculdade e praticamente na metade do curso. Temos que arranjar estágio logo, uma bolsa logo, fazer concurso logo ou qualquer outra coisa que dê retorno financeiro logo! "Afinal, ninguém vive de sonhos não é mesmo?! A realidade é dura, é cruel"... E centenas de explicações para justificar tantos pedidos de "está na hora de crescer, por favor, faça isso logo!"
Todos ao redor vêem o jovem como um ser alegre e saltitante em tempo integral e que tem energia de sobra pra ser tudo e aguentar tudo o que for. Os jovens não possuem o direito de ficarem tristes, isso é quase uma afronta a todas as pessoas maduras que já provaram do lado amargo da vida. Nós, o que sabemos do sofrimento? Entre tantas "constatações e julgamentos equivocados que "adultos, maduros e experientes" fazem, esse é só mais um.
Ninguém em plena juventude sabe o que é ser atormentado por insucessos, ninguém em plena juventude sofre por amor, ninguém em plena juventude sabe mesmo o que é amar de verdade, jovens são incapazes de desenvolver sentimentos profundos por quem quer que seja, eles não sabem o que é vida real. As decepções "de verdade" ainda estão por vir.
Ao mesmo tempo que nos vêem como seres imunes a grandes sofrimentos, nos vêem como a terra prometida e depositam toda a confiança em nós e no nosso futuro absolutamente lindo e promissor... Que consiste em: estudar, trabalhar, ganhar muito dinheiro, ter dinheiro sobrando para passar as férias na Europa, um carro, morar numa mansão, casar com alguém decente e ter lindos bebês e a partir daí é só manter até morrer.
O futuro era algo distante, agora ele se abrevia nas horas do relógio e dia após dia quando olho minha cara amassada e cabelo desgrenhado no espelho do banheiro ao acordar.
E o medo aumenta, a ansiedade aumenta e eu tenho cada vez menos tempo que antes para realizar tudo, ser tudo, querer tudo o que um jovem "ajustado e feliz" deseja.

domingo, 6 de junho de 2010

Sunday.

Domingo. Sono. Preguiça. Programa do Gugu. Faustão. Tudo é possível. Celso Portioli (quem?). Convivência familiar induzida quando estou com tendências para o isolamento. Internet. MSN. Orkut. Blog. Música. Sono. Sono. Texto de Antropologia me esperando. Celular. Telefone que não toca. Passos na rua. Mensagem de texto que não chega. Google. Fotos. Dor de cabeça. Dúvidas. MP3. Relógio. Vento. Vontade generalizada de porra nenhuma. Propaganda do dia dos namorados C&A. Gracinhas da TV. Noite. Escuro. Liberdade condicional. Vontade de ir. Medo. TV. TV. Jornal de ontem. Saudade. Lembrança. Ausência. Paredes brancas. Cores no papel. Tédio. Ânsia. Desespero abafado. Beleza. Pensamento. Sentimento. Solidão...
Se tudo isso piorar, não sei do que sou capaz!
X.X

terça-feira, 11 de maio de 2010

As vantagens de andar de ônibus.

Leitores! Se pararmos para pensar com carinho, mas com muito carinho mesmo, poderemos notar que andar de ônibus não é tão ruim assim, existe uma série de experiências estéticas que só vivencia quem anda de ônibus.
1 - É divertido: Você não precisa de muita grana para se divertir, bastam 2 reais e você pode ter a sensação de um parque de diversões acoplado à sua volta para casa! Dinheiro com ingresso? Lanche? Gasolina? Isso tudo já era. É só pegar um busão dos mais velhos possíveis e sentar no fundão. Você vai pular alto à cada quebra-mola, vai ficar saltitando da cadeira a cada rua esburacada, não é incrível? Para a diversão estar completa é só chamar a galera, soltar as mãos, levantar os braços quando estiver em uma ladeira e gritar IUPI!!!! É demais!

2 - É saudável: Você está se sentindo acima do peso? Não se reprima! Corra até o ponto de ônibus mais próximo da sua casa, te garanto que é melhor que qualquer academia. Você corre para alcançar o ônibus, corre para ser o primeiro a subir e assim garantir seu tão almejado lugarzinho na janela do lado da sombra, se espreme no meio do povo pra passar, se estica pra puxar a cordinha, sauna grátis em dias de calor... It's very good!

3 - É romântico: Suas chances de conhecer o amor da sua vida na solidão de seu carrinho com ar-condicionado e MP3, são nulas. O lance é busão lotado ao meio-dia ligado no lembranças Gazeta. Sabe aquele menino (a) que você paquera à séculos e que não te deixa chegar perto? Pois então, use a desculpa do ônibus lotado para ficar mais perto do seu amor, use a desculpa da falta de espaço para ficar 1 hora assim (¬¬). Mas se você não tiver ninguém em mente, as chances do amor da sua vida pisar no seu pé são imensas... Você tá lá puto com o calor, a quantidade de gente e alguém pisa com gosto no seu pé, você se prepara para um xingamento daqueles ao fdp que não viu seu pé, mas quando você vira é uma linda moça com roupa de camponesa de bom coração que vai colher lenha no bosque todos os dias... Ai tchipow! O pedido de desculpas dela (considerando que ela é uma pessoa educada), já vira motivo pra puxar conversa. #ficadica.

4 - É cultural: Só no ônibus você tem contato com os mais variados estilos musicais, reverberado por aquelas pessoas que não sabem o que significa um fone de ouvido e nem o que é bom senso. Julgam, esses pobres mortais que seu juízo de gosto é apurado e refinado. E nós que aguentamos!

5 - É educativo: Você aprende no ônibus, estratégias de vendas, marketing pessoal, retórica avançada e poder de persuasão. Frase que sintetiza essas características: "Estou vendendo o delicioso chiclete 'fricks'..."

6 - É emocionante: Um dia você vai chorar com a história daquele pessoal que começa falando: "Eu vou dar boa tarde pra vocês e vocês respondem pra mode eu não passar vergonha...Boa tarde pessoal..."

7 - É engraçado: Você pode rir com as conversas alheias! Sem sentir culpa nenhuma por estar exercendo seu lado fofoqueiro.

8 - É ecológico: Alguns ônibus possuem tendências para quebrar em dia de chuva na praia, você é obrigado a descer e assim pode contemplar o marzão sentindo a chuva lavando a mente :) Lavando também sua blusa branca, seus trabalhos que estão na bolsa, seus pés escorregando, suas canelas enchendo de lama... Ops! Se ligue no marzão e esqueça a matéria, sinta a chuva lavando a alma, esqueça também que você está longe de casa e cansado, tudo isso é psicológico! Vamos entoar uma mantra?

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Momentos de Solidão e Subjetividade.


Mente quem diz que não se importa com a opinião de ninguém. É hipócrita aquele que diz que a palavra dos outros não interfere em suas escolhas, ninguém é totalmente si mesmo e nada dos outros.

Por mais que queiramos viver a vida do nosso modo, pautada em nossos próprios valores éticos, de um jeito ou de outro esses valores vão ser constituídos a partir do que outros acreditam, nós absorvemos as tais "normas de conduta" e nos construímos enquanto seres a partir desse contato. E por que essa adequação? Queremos pertencer a um sistema ou ao menos a sensação de pertencer, o que quase dá no mesmo, principalmente quando não temos a consciência do que é pertencer de fato e ter apenas a sensação de pertencer.

Normas, não creio que seja uma das palavras mais confortáveis, já que por meio dela abrimos mão de certos individualismos em nome do coletivo.

Por que o todo seria mais importante que eu? Como os outros poderão saber o que é melhor para mim? Como eles saberão onde reside minha felicidade? Os outros não usam meu corpo e não saberão de minha alma, dessa forma não saberão nunca o que vai dentro para querer estabelecer normas que supostamente me farão melhor... O melhor seria que cada um agisse como lhe convir, com sua moral particular... Mas será que isso não seria defender a barbárie? Onde prevaleça a lei do mais forte ou a Vontade de Potência, como já dizia Nietzsche.

Eu não existo sem os outros, mas os outros podem existir sem mim. Um ser individual sem o coletivo pode beirar a loucura, porém se é o coletivo que perde o individual ele ainda existirá. A dor da perda é óbvia, mas assim como todas as outras dores, essa também aplaca.

E o que haverá de útil na dor? Por que dói e depois não dói mais? Será que temos consciência de que o tal "aprendizado" da dor vem justo em sua duração? Quase não percebemos e por isso a prolongamos de forma a se tornar sofrimento inútil e sem remédio.

Prefiro acreditar que ela serve para algo e que também só depende de mim aprender e fazê-la ir embora...